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quinta-feira, 27 de junho de 2013

DILMA não quis ouvir a voz do país, preferiu ouvir a dos radicais do partido

26/06/2013
 às 19:05

Dilma tentou passar como “pacto” resoluções do PT de 2007, que estão em documento do partido; em vez de ouvir a voz do país, preferiu ouvir a dos radicais do partido

É claro que ainda voltarei às manifestações de Belo Horizonte e à “Primavera Árabe” à brasileira, embora esse assunto já esteja começando a me dar certa preguiça. Em Belo Horizonte, o pau está comendo. Em Recife, o PSOL e o PSTU resolveram marchar contra Eduardo Campos — se não houver petistas no meio, corto o mindinho… Em Brasília, também há protestos nas imediações do Congresso. Certa leitura segue adiante, transformando o que veio depois em causa do que veio antes… Já chego lá. Eu tenho tão pouco apreço pelo petismo que o capeta fica aqui soprando ao meu ouvido: “Faça de conta que Dilma é Hosni Mubarak ou Muamar Kadafi, Reinaldo!”. Não faço! É uma questão de honestidade intelectual. Mas vamos adiante. Quero lhes apresentar um troço realmente formidável. Vem à luz o documento de referência para as alopradas propostas de Dilma Rousseff para responder aos protestos. Um leitor me mandou um trecho de um texto do jornalista Fábio Pannunzio, publicado em sua página no Facebook. Foi ele quem achou o documento. Fui atrás da história. Está quase tudo lá.
No site do PT vocês encontram as Resoluções do 3º Congresso do Partido, realizado em 2007. Está tudo ali. Com a colaboração de Franklin Martins — converter o jogo à esquerda é com ele mesmo —, Dilma transformou algumas daquelas propostas numa resposta às ruas. A maioria dos que protestam pede saúde e educação de mais qualidade, e ela oferece plebiscito; a maioria pede o fim da corrupção, ela acena com democracia direta. Transcrevo trecho do documento. Leiam, com atenção ao que vai em destaque.
*
Reforma Política e Constituinte Exclusiva
A democratização do país passa, além da luta contra os monopólios da comunicação, por modificar o sistema político, eleitoral e partidário. É preciso debater e aprovar medidas sobre temas como: a convocação de plebiscitos para decidir questões de grande alcance nacional; a simplificação das formalidades para proposição de iniciativas populares legislativas; a convocação de consultas, referendos e/ou plebiscitos em temas de impacto nacional; o Orçamento Participativo; a correção das distorções do pacto federativo na representação parlamentar; a revisão do papel do Senado, considerando o tempo de mandato, a eleição de suplentes e seu caráter de câmara revisora; a fidelidade partidária, o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais, o voto em lista pré-ordenada, o fim das coligações em eleições proporcionais; o fim da reeleição para todos os cargos majoritários a partir das próximas eleições; e a proibição do exercício de mais de três mandatos consecutivos no mesmo cargo.
O financiamento dos processos eleitorais não deve contribuir para a privatização do Estado, mas para a preservação de seu caráter público. A implantação, no Brasil, do financiamento público exclusivo de campanhas, combinado com o voto em listas pré-ordenadas, permitirá contemplar a representação de gênero, raça e etnia.
A reforma política não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos dos seus integrantes. Ademais, setores conservadores do Congresso pretendem introduzir medidas como o voto distrital e o voto facultativo, de sentido claramente conservador.
O Partido dos Trabalhadores defende que a reforma política deve ser feita por uma Constituinte exclusiva, livre, soberana e democrática. Para que isso seja possível, a reforma política deve assumir um estatuto de movimento e luta social, ganhando as ruas com um sentido de conquista e ampliação de direitos políticos e democráticos.
Dentre as propostas do PT para a reforma política, ganham destaque duas medidas: a que proíbe o financiamento privado nas campanhas eleitorais e a que estabelece o voto em lista pré-ordenada. Adotadas, estas medidas terão como efeito coibir o poder econômico do capital no processo eleitoral, fortalecer os partidos políticos, enfrentar a crise de representação institucional que hoje atinge índices alarmantes e combater as fontes da corrupção sistêmica.
O Diretório Nacional do PT agiu corretamente ao fechar questão em apoio ao financiamento público de campanhas, à lista fechada e pré-ordenada de candidatos/as, à fidelidade partidária e ao fim das coligações proporcionais. O 3º Congresso do PT reafirma que estas medidas, ao lado das que garantem protagonismo popular no processo político, constituem o núcleo da reforma proposta pelo Partido. A derrota da reforma política, na atual legislatura, teve várias causas, entre as quais o reduzido conhecimento popular sobre o que estava em jogo, a campanha movida pelos grandes meios de comunicação, o apoio de grande parte dos parlamentares às regras que os elegeram, a oposição do PSDB, a divisão entre os partidos de esquerda e na bancada do próprio Partido dos Trabalhadores e, finalmente, a atitude do governo federal que não orientou sua base de apoio a votar a favor da reforma política.
(…)
Considerando, a partir desse pressuposto, que:
• Para um governo de esquerda a participação, organização e mobilização popular são fundamentais para garantir a governabilidade democrática;
• Os governos democráticos e populares combinam a ideia de inverter prioridades e garantir ganhos materiais aos historicamente excluídos com formas inovadoras de participação popular através da democracia participativa, materializada em experiências exitosas como o Orçamento Participativo (OP), os conselhos de direitos, temáticos e setoriais e no diálogo com os movimentos sociais;
• Ao combinar ganhos na qualidade de vida dos setores populares (que têm reivindicações e interesses históricos contraditórios com o funcionamento da sociedade capitalista) com novas formas de relação do Estado com a sociedade, temos melhores condições de responder positivamente à contradição de como governar sem frustrar expectativas. Ao mesmo tempo, dialogamos com dois princípios básicos da sociedade socialista que pretendemos construir: uma democracia superior à democracia liberal e políticas que buscam superar as desigualdades econômicas e sociais existentes sob o capitalismo.
(…)
Voltei
Como se percebe, há tempos o PT busca um bom pretexto para apelar à democracia direta, tentando atropelar o Congresso. Só não contava que fosse fazê-lo também ele pressionado por circunstâncias que não são de sua escolha. Vejam que a resolução combina o plebiscito com a Assembleia Constituinte para fazer a reforma política, rigorosamente como propôs a presidente. A reação do mundo jurídico reduziu a tese aloprada apenas às consultas populares. Ninguém tem a menor ideia de como se daria a coisa.
Em seu texto, o PT defende o financiamento público de campanha, tese que começa a ganhar fôlego nestes dias um tanto conturbados. Se eu fosse escolher o pilar mais importante do golpe que o PT pretende dar no sistema político, escolheria justamente esse — e me estenderei mais sobre o assunto em outro post.
O PT ensina o caminho das pedras, diz como se conseguiria realizar uma Assembleia Constituinte específica:
“O Partido dos Trabalhadores defende que a reforma política deve ser feita por uma Constituinte exclusiva, livre, soberana e democrática. Para que isso seja possível, a reforma política deve assumir um estatuto de movimento e luta social, ganhando as ruas com um sentido de conquista e ampliação de direitos políticos e democráticos.”
A Assembleia Contituinte já está morta, mas o financiamento público de campanha já começa a ser debatido como se fosse media de consenso e fruto das lutas populares. Alguns inocentes úteis estão fazendo o jogo do partido. Não deixa de ser impressionante que, com o país em transe, Dilma tenha, na prática, ignorado as ruas para ceder ao alarido do partido
Encerro com palavras lapidares de Pannunzio em sua página:
“O que não é possível é admitir que a Presidente Dilma Rousseff tenha se valido do momento mais conturbado da história recente para impor o projeto partidário como ‘pacto’, desgastando ainda mais essa palavra, cujo sentido foi esvaziado ao longo da lenta agonia do governo Sarney. Ou que tenha sido induzida a esse erro colossal pelos fundamentalistas de sua legenda — e não tenha se importando de passar adiante a empulhação.
Com conselheiros desse naipe, é bem provável que Dilma Rousseff não precise de inimigos externos. Oportunistas e soberbos, mas sobretudo burros a ponto de não entender nem sequer o que se passa do outro lado da janela da institucionalidade, esses petistas antidemocráticos conseguiram levar o governo de todos os brasileiros a mergulhar na sua própria inconsistência.”
É isso aí.
Por Reinaldo Azevedo

domingo, 26 de maio de 2013

Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

24/05/2013 às 6:45
Futuro ministro do STF é um dos emblemas do pensamento politicamente correto; Dilma decide dar uma resposta aos “conservadores”

A questão que não quer calar é uma só — ou, agora, se me permitem, a “questão são duas”, a depender da velocidade com que as coisas avancem no Supremo: como Luís Roberto Barroso, o novo indicado para o Supremo (e certamente será aprovado pelo Senado), vai se comportar no caso do mensalão? O outro enigma é Teori Zavascki. Fato número um, e vamos ver o peso que isto tem: há muito tempo ele é um dos prediletos de Márcio Thomaz Bastos para a o cargo. Bastos, como se sabe, é ex-ministro da Justiça e atual advogado de mensaleiro (José Roberto Salgado). Não se pode dizer, no entanto, que Barroso fosse o preferido do establishment petista. Havia outros à frente. Mas é certo que, numa dimensão, digamos assim, gramsciana, o partido não tem do que reclamar. Barroso é afinadíssimo com a metafísica petista e com os valores que o partido pretende transformar em imperativos categóricos.

Currículo, sem dúvida, ele tem. Inclusive no pensamento politicamente correto — ou politicamente engajado; já chego lá. Cumpre lembrar, antes de tudo, que Barroso foi a estrela da advocacia que atuou em favor do terrorista Cesare Battisti, “convocado” que foi para auxiliar Luís Eduardo Greenhalgh. Já escrevi o suficiente sobre esse caso, como sabem. Barroso faturou a causa por um voto, e o Brasil ficou com um bandido a mais à solta em suas plagas. UMA NOTA À MARGEM – Caso os mensaleiros não obtenham sucesso em sua empreitada, o futuro ministro do STF certamente não se alinhará com aqueles que pretendem evocar o Pacto de San José da Costa Rica, né? Afinal, a Corte Europeia de Direitos Humanos rejeitou os recursos de Battisti e declarou que ele havia tido, sim, à diferença do que se noticiou por aqui, amplo direito de defesa. Sigamos.

Barroso atuou ainda em favor da pesquisa com células-tronco embrionárias, união civil de homossexuais e do aborto de anencéfalos. Estivéssemos nos EUA, ele seria apontado como “um liberal”, segundo o vocabulário que se emprega lá. Aqui, o sinônimo é “esquerda”, eventualmente “progressista” na novilíngua que se passou a usar por aí.

Há que se destacar que, num momento em que os conflitos de valores se tornaram uma pauta quente no Brasil, Dilma escolhe um nome que, obviamente, vai na contramão dos, deixem-me ver como chamar, “valores tradicionais” — e, obviamente, nada tenho contra os “valores tradicionais”. Muito pelo contrário. Barroso é um dos mais vistosos emblemas do “progressismo” em matéria de direito. Mas, dados os nomes que andaram circulando por aí, afirmo: dos males, o menor…

O advogado é também o mais midiático de todos eles. Aos 55 anos, já pertence à geração que tem página na Internet, onde faz digressões sobre direito, poesia, música… A gente fica sabendo, por exemplo, que ele gosta de Beethoven, de Ana Carolina e de Taiguara. Tá bom.

Em sua página, o futuro ministro do Supremo opina sobre isso e aquilo — tanto que há lá uma seção chamada “opiniões”. No texto sobre o aborto de anencéfalos, escreve:

“A interrupção da gestação constitui tema controvertido em todas as partes do mundo. No Brasil, a questão da descriminalização do aborto ainda aguarda um debate público de qualidade e sem preconceitos. Porém, deve-se deixar claro que a antecipação terapêutica do parto não constitui aborto, à vista da falta de potencialidade de vida extra-uterina do feto.”

É… Uma das minhas especialidades é arrancar o glacê das palavras para me concentrar na substância. Qualquer um que diga que o debate sobre o aborto deve ser feito “sem preconceitos” é defensor do aborto. É claro que as pessoas têm o direito de ter esse ponto de vista. O que me incomoda é considerar que o outro só pode pensar de modo diferente por “preconceito” — classificação que busca, obviamente, desqualificar o adversário intelectual. Nota: “antecipação terapêutica do parto” é eufemismo detestável. O nome é aborto mesmo, terapêutico ou não.

Mesmo sendo um dos preferidos de Márcio Thomaz Bastos, não sei como Barroso se comportaria no caso do mensalão. Uma coisa é certa: ele é um das mais vistosas reputações do pensamento politicamente correto no Brasil. Pensem aí uma “causa progressista”, qualquer uma: Barroso será a favor. Ao nomeá-lo, Dilma certamente procurou dar uma resposta àquilo que as esquerdas chamam “onda conservadora no Brasil” — que, de resto, não existe. Mas agora existe um ícone para combatê-la…

Texto publicado originalmente às 17h45 desta quinta

Por Reinaldo Azevedo

Fonte:http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/futuro-ministro-do-stf-e-um-dos-emblemas-do-pensamento-politicamente-correto-dilma-decide-dar-uma-resposta-aos-conservadores/

DITADURA NO BRASIL: Reinaldo Azevedo BOTA A BOCA NO TROMBONE

REINALDO AZEVEDO BOTA A BOCA NO TROMBONE:
http://www.youtube.com/watch?v=tdM5UvKd5qM








Published on Apr 25, 2013
Como a Esquerda está dando um golpe de estado no Brasil? Tema que alguns CEGOS acham um delírio. Bom... Vejam acontecimentos recentes, mudanças na constituição e movimentos antidemocráticos com a desculpa de "mobilização popular".

O plano tem muito tempo. Contudo, o Plano Nacional de Direitos Humanos escancarou! Veja o vídeo.

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sexta-feira, 15 de março de 2013

REINALDO AZEVEDO: A imprensa e a democracia. Ou: Sou um extremista

A cobertura que a imprensa ocidental fez da morte de Hugo Chávez, a nossa também — e vocês conhecem as exceções —, foi asquerosa. Mais uma vez se voltou àquela fraude moral e intelectual que consiste em opor como termos ou permutáveis ou mutuamente compensáveis a ditadura e a melhoria das condições de vida da população. Assim, não estava claro se alguns coleguinhas consideravam que “Chávez era um ditador, mas melhorou a vida dos mais pobres” ou se “Chávez melhorou a vida dos mais pobres, mas era um ditador”.

O sujeito que diz a primeira frase é só um admirador ainda envergonhado de ditaduras. Um dia perde a vergonha e solta a louca chavista que existe em seu interior. O segundo é só um crítico envergonhado de ditaduras. Teme que a patrulha de vagabundos o tome por reacionário, então fica com essas adversativas compensatórias, com receio de dizer claramente que ditadura, como método de governo, é injustificável e ponto final.

O primeiro tipo é, sem dúvida, mais asqueroso, de convivência impossível, com quem não se pode partilhar nem mesmo um café. O segundo já passa por boa-praça; é, na verdade, até bem-intencionado. Mas é também inútil para a causa democrática. Tenho, em verdade, mais desprezo intelectual pelo segundo do que pelo primeiro. Aquele que, sabendo mais e tendo mais clareza do processo, condescende com regimes de força e acaba se esforçando para buscar neles alguma virtude é pior do que o idiota que nem sabe direito o nome do que defende.

É por isso que, entre certos bananas e oportunistas, este escriba ficou com a fama ou de “exagerado” ou de “radical demais”. Radical em quê? Na defesa da democracia, na defesa da pluralidade, na disposição de chamar ditadura de “ditadura”, mesmo quando vem com o embrulho da consulta democrática? A grande desgraça, a grande porcaria, também no nosso jornalismo, é que ele está de tal sorte contaminado pelo pensamento politicamente correto que alguns tontos nem se dão mais conta do que escrevem. Já volto à Venezuela. Antes, algumas outras considerações.

Vimos a imprensa brasileira espalhar, por exemplo, a calúnia asquerosa do jornalista Horacio Verbitsky, um palhaço do kirchnerismo, contra o papa Francisco. Ele não tem nenhuma evidência, prova ou indício de que o agora Sumo Pontífice colaborou com a repressão. Há não mais do que a impressão e o achismo de um jesuíta então preso. Ao contrário: o que está devidamente evidenciado é que o Jorge Bergoglio atuou para tentar libertar alguns encarcerados. E isso ensejava contatos com a cúpula militar — o mesmo aconteceu no Brasil.

Muito bem! A esmagadora maioria dos veículos que tratou do assunto omitiu o fato — NOTEM: É FATO, NÃO BOATO — de que Verbitsky foi um terrorista montonero. Um pouco de honestidade intelectual lhe resta: admite o fato — até porque não teria como negá-lo. Foi apresentado como “próximo” da Cristina Kirchner, a Louca da Casa Rosada. Errado! É um propagandista do governo, do regime. Mais do que isso: é um assessor informal da presidente que persegue abertamente a imprensa.

Mas quê… O suposto passado colaboracionista do agora papa é exposto, ainda que a informação seja atribuída a Verbitsky, mas sobre o passado do próprio jornalista, nada! Que critério é esse? Então a vida pregressa do terrorista e o presente do áulico têm de ser escondidos dos leitores, dos internautas? O que aconteceu com os editores de alguns grandes veículos? Passam o dia tomando café, pensando na morte da bezerra, administrando borderôs? Estou cobrando apenas apreço aos fatos. Por que é assim? Só pode ser porque, no fim das contas, se considera que ser montonero era estar “do lado certo da batalha”. A explicação alternativa é a burrice pura e simples. Mas, como sempre se é burro de um lado só, considero que é método demais para tão pouca inteligência. A burrice metódica vira uma escolha ideológica — além de ser uma sabotagem aos interesses do leitor, do telespectador, do ouvinte, do internauta.

O mesmo se dá com a cobertura, que já ultrapassou o limite da baixaria, da pressão contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). Duvido que alguém faça a ele mais restrições de natureza intelectual, política e até bíblicas do que eu. Não penso o que ele pensa. Não comungo de suas ideias. Mas é uma barbaridade, um acinte ao bom senso, uma ofensa aos fatos, afirmar que ele foi racista ou homofóbico em suas declarações. A acuação de racismo consegue ser a mais exótica. E se ele tivesse certado na referência bíblica e se referido aos cananeus, descendentes de Canaã, amaldiçoado por Noé? Quem deveria estar acusando o pastor de “racista”? Santo Deus! A mãe deste senhor é negra. Ele próprio é negro segundo os critérios dos racialistas. Seria contemplado pela lei das cotas que esses ditos “progressistas” defendem.

Lamento! A cobertura de certa imprensa lembra uma matilha hidrófoba. Do que é mesmo que acusam o deputado? De intolerante? Por isso não o deixam falar? De agressivo? Por isso não aceitam seu pedido de desculpas? De resto, se a Comissão existe apenas para homologar as reivindicações dos grupos militantes, que seja dada, então, por extinta e as matérias aprovadas sem exame. Esse tipo de procedimento emburrece gerações. Não são poucos os veículos de comunicação que estão abrindo mão, de forma clara e lastimável, da pluralidade e até do direito de defesa. EU SEMPRE SOU MUITO CLARO E MUITO DURO COM O PENSAMENTO QUE REPUDIO. MAS JAMAIS ATRIBUO, MESMO À PESSOA MAIS DETESTÁVEL, O QUE ELA NÃO FEZ OU DISSE. SE DETESTÁVEL MESMO, CERTAMENTE ENCONTRAREI RAZÕES PARA CONTESTÁ-LA POR AQUILO QUE FEZ E DISSE. “Ah, é que você pega leve com os evangélicos.” Pego? Perguntem a Edir Macedo.

Não é assim, não! Há uma perda quase generalizada de referências. Este blog existe porque a Internet está aí. Mas a imprensa não pode ser mera caudatária desse processo, até porque, há muito tempo, também as redes sociais não são livres. Estão sendo monitoradas por grupos organizados, por difamadores profissionais, por militantes a soldo. O que entendemos por democracia? É a força de quem grita mais? Ninguém precisa testar a sua tolerância com pessoas com as quais concorda, não é mesmo?

Quais são, no fim das contas, os valores que orientam esse jornalismo?

Volto à Venezuela Sempre fico muito irritado quando leio um tonto ou outro a afirmar que, afinal, a Venezuela não pode ser considerada uma ditadura porque há oposição, porque funciona um Parlamento, porque há eleições… Bem, então não houve ditadura militar no Brasil. Simples assim. Não houve???

Nicolás Maduro, ex-motorista de ônibus, resolveu voltar a seu passado de “trabalhador”. Afinal, o marqueteiro de Lula e Dilma, João Santana, está lá e é seu orientador. Conduziu pessoalmente um grupo de eleitores para uma solenidade de entrega de 352 casas. Também estreou num programa de televisão. A oposição, evidentemente, não tem acesso à TV e não pode participar da entrega de prebendas. “Quase ditadura”? “Democracia diferente?” Não! A Venezuela é uma ditadura, e são, portanto, delinquências políticas estas duas frases: “Chávez era um ditador, mas melhorou a vida dos mais pobres”; “Chávez melhorou a vida dos mais pobres, mas era um ditador”.

Até porque essa melhoria consistiu na distribuição de alguns caraminguás do petróleo. Cobrou um preço por isso: o controle do Legislativo, o controle do Judiciário, o fim da imprensa livre — décadas serão necessárias para recuperar o país desse desastre. “E as elites antigas, que nunca distribuíram nem os caraminguás?”, poderá indagar alguém. Sua estupidez não justifica a miséria política a que o ditador conduzir o país.

Encerro assim Em matéria de defesa da democracia, só um ponto de vista é moral: o extremista.

Por Reinaldo Azevedo

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Os amores e os ódios de Dom Balduino, este estranho 'homem de Deus'.

POR REINALDO AZEVEDO 
Há dois dias escrevi aqui sobre as maluquices de dois padres — Júlio Lancelotti e um outro aí — que decidiram se opor à internação involuntária de viciados em São Paulo, embora o programa, que cumpre previsão legal, esteja cercado de todos os cuidados técnicos e garantias democráticas. Por que os dois fazem isso? Porque têm, vamos dizer assim, ideias na cabeça que passam muito longe dos fundamentos do catolicismo e da outra Constituição que deveriam seguir: os fundamentos no Novo Testamento.

No dia 23, a Folha publicou um artigo assinado por Dom Tomás Balduino, 90 anos (se escrito por ele, isso já não sei), que é nada menos do que um libelo contra a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Vamos ver. Divergir desse ou daquele é parte do jogo democrático. O ataque gratuito, saído do nada, apelando a calúnias já desmoralizada pelos fatos e pela Justiça, bem, isso é outra coisa. A senadora, presidente da Confederação Nacional da Agricultura do Brasil (CNA), não foi atacada por dom Balduino por ter feito isso ou aquilo, mas por ser quem é: líder de um setor da economia —  o único da área produtiva que exibe números realmente virtuosos. E sem ter o BNDES como babá.

Dom Tomás é bispo emérito de Goiás e “conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra”, de que já foi presidente. As “pastorais” são o que já chamei aqui de “herança maldita da Escatologia da Libertação”. Na sua militância, substituem os fundamentos do cristianismo — e, particularmente, do catolicismo — pela velha e boa (para os militantes) luta de classes. Poucos setores demonizam tanto o a produção rural, por exemplo, como essa ala da Igreja. Padres e bispos católicos deveriam ter como mandamento “dar pão a quem tem fome”. Fazem, nesse caso, o contrário: preferem a fome desde que ela esteja de acordo com o que acham ser “justiça”.

Dom Balduino, com o seu entendimento muito particular do que seja justiça, já foi tema deste blog muitas vezes. Em 2009, confesso, ele consegue deixar chocado até este blogueiro, que espera as piores coisas desse setor da Igreja. O noticiário internacional dava conta da penca de filhos que o então presidente do Paraguai, Fernando Lugo, havia tido na clandestinidade, quando era nada menos do que bispo — filhos que, evidentemente, não haviam sido reconhecidos. Dom Balduino não hesitou: trocou a Teologia da Libertação pela Teologia da Inseminação e emprestou seu total apoio ao “amigo”. Mais: acusou uma conspiração contra o Lugo e ainda acusou a mídia, claro!!! Deu a impressão de que os inimigos de Lugo o forçaram a se deitar com parcela significativa da população feminina do Paraguai. No trecho mais impressionante da Carta, Dom Balduino exaltou a quebra dos votos de castidade do outro e sua prolífica militância. Assim:“Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher”.

Ainda que padre transando com mulher não seja a pior notícia que pode ter a Igreja, é evidente que a carta de dom Tomás é pura delinquência teológica e política.

O que isso tem a ver?

Aí alguns mais inocentes poderiam perguntar: “O que isso tem a ver com o caso de agora, Reinaldo?” Tudo!  Dom Balduino é do tipo que santifica os seus amigos, pouco importando as transgressões que tenham praticado (ele as transforma, como se vê, em virtudes), e que demoniza aqueles que considera adversários, pouco importando se têm ou não virtudes. E isso está demonstrado por sua trajetória e militância.

As acusações

O artigo de Balduino está ancorado num texto publicado pela notória Carta Capital, com o apreço e o amor à verdade que há por lá. Acusa Kátia Abreu de ter expulsado um agricultor de sua terra e de ter se apropriado de área pública. Os documentos que existem a respeito do caso desmentem uma coisa e também outra — tudo submetido ao crivo da Justiça.

Balduino afirma ainda outras barbaridades sobre assunto que conhecemos bem, os que somos deste blog. Quando o Supremo tomou a decisão sobre Raposa Serra do Sol — decisão lastimável no mérito (e nós estávamos certos; só cresceu miséria por lá ) —, estabeleceu 20 condicionantes para aquela área e para a demarcação de futuras terras indígenas. O bispo, com um desapreço pela verdade só superado pelas ignomínias que disse no elogio a Lugo, atribui tal decisão a Kátia Abreu. É mesmo um troço espantoso!


Estudiosos tentam entender as razões do declínio da Igreja Católica no Brasil — e está em declínio, é inútil negar. Deriva, não tenho dúvida, entre outras causas, do fato de que muitos religiosos passaram a ignorar o dogma da Cruz em favor do da luta de classes. O pior é que acabam com um entendimento prejudicado das duas coisas. Os marxistas originais, vá lá, achavam que era preciso superar o capitalismo para chegar ao socialismo — e àquilo que entendiam ser o bem-estar coletivo. O comunismo dos padres é coisa mais primitiva mesmo. Eles parecem ter uma atração fatal pela socialização da miséria. A exemplo daquela turma da Alana, eles também não gostam do… consumismo… É o caso de Lancelotti. Esse homem não pode ver um miserável que logo cai de joelhos.

Leiam a resposta que Kátia Abreu deu a dom Balduino, também na Folha:
Li, com surpresa, nesta Folha, um texto rancoroso e eivado de fúria acusatória e caluniosa (“Apreensão no campo” ), assinado pelo bispo emérito de Goiás Velho, dom Tomás Balduino, atribuindo-me pecados que não cometi.

Como católica praticante, jamais imaginei um dia polemizar com um representante da mais alta hierarquia da fé que professo. Mas a fé que professo não parece ser a mesma que a dele. As palavras que me dirigiu não foram de um cristão.

Minha fé não é a do ódio revolucionário, que incita o conflito e trata como pecadores os que dele divergem ideologicamente. É a fé que o papa Bento 16, em seu livro “Jesus de Nazaré, da Entrada em Jerusalém à Ressurreição”, proclama como sendo a da paz.

“A violência”, diz o papa, “não instaura o Reino de Deus, o Reino da Humanidade. É, ao contrário, instrumento preferido do Anticristo. Mesmo com motivação religiosa idealista, ela não serve à humanidade, mas à inumanidade”.

Não há mistura mais letal que a da política com a religião. O fundamentalismo é, em si, antirreligioso. Os católicos da Irlanda, em nome de sua fé –que seguramente não é a de Cristo–, usaram o terrorismo e o sangue de inocentes como arma política, em nome de Alguém que resumiu sua doutrina numa frase: “Amai-vos uns aos outros”.

Minha mais remota lembrança de dom Tomás é diametralmente oposta ao espírito de seu artigo. Remonta a um tempo anterior à criação do meu Tocantins, então integrado a Goiás.

Ele, ainda padre, ensinava, num Sermão das Sete Palavras, na Sexta-Feira da Paixão, que Jesus, ao pedir ao Pai que perdoasse seus algozes, “pois não sabiam o que faziam”, mostrava a importância de interceder não só pelos amigos, mas sobretudo pelos inimigos.

Ao que parece, algo mudou na transição de padre Tomás para o bispo dom Balduino. Invoco, pois, o espírito cristão do padre para responder ao bispo, com absoluta serenidade, as imputações que me faz –a mim e a meus irmãos Luiz Alfredo e André Luiz. Mesmo perdoando-o desde já, cumpro o dever de desmenti-lo.

Não é verdade, dom Balduino, que tenha perseguido, despejado e feito perseguir “por 15 policiais armados” um pequeno agricultor em Campos Lindos, Tocantins. Tratava-se do grileiro Juarez Vieira, cuja crônica de violências e maldades qualquer morador da região atestará. Obtive na Justiça reintegração de posse de terra de minha propriedade legítima.

Não é verdade também que a tenha recebido de “mão beijada”. Adquiri-a em moeda corrente e a preço justo, como os demais fazendeiros. Era área inóspita e desabitada; hoje, é a internacionalmente conhecida região do Mapito, referência de produtividade em soja, milho e algodão, com infraestrutura bancada pelos produtores pioneiros.

Outra injúria atinge meus dois irmãos. O bispo acusa Luiz Alfredo de grilagem e André Luiz, de promover trabalho escravo. Mas Alfredo adquiriu com recursos próprios as terras que possui, devidamente documentadas. E André jamais foi proprietário da fazenda citada pelo bispo.

Apenas alugou dois tratores, sem os tratoristas, para o proprietário, nada tendo a ver com as denúncias, que não o envolveram. É, inclusive, funcionário do Ministério Público do Trabalho, onde jamais foi questionado.

Esclareço também que não sou responsável pela decisão da Advocacia-Geral da União de estender as condicionantes da demarcação de Raposa Serra do Sol às demais terras indígenas. Foi o Supremo Tribunal Federal que assim o determinou.

Sem seu grau de santidade e sabedoria, não lhe devolvo as insolências. E se for o caso de terminar com uma citação, tomo, com respeito, a palavra do Senhor, no Antigo Testamento: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo, 20, 16).

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